Mas afinal, quem realmente manda em você?

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Você até suspeita que quem manda em sua vida é sua esposa, seu patrão, seu marido, as vezes os filhos ou até o mundo, eles te conduzem como um boi puxando uma carroça, mas na verdade, existe outro vilão e é só fazer um teste bem simples, para compreender quem realmente manda em você.

Desligue o celular por algumas horas e se isso lhe causar inquietação, se ficar com a sensação de que está perdendo alguma coisa ou até lhe causar ansiedade, talvez seja hora de assumir, quem realmente está no comando da sua vida.

O aparelho de celular condensou uma infinidade de recursos para otimizar nossa vida, era para ser um aliado, mas neste momento, ele disputa o que temos de mais valioso, nossa atenção e toma nosso tempo; na maioria das vezes ele vence. O celular está tirando nossa capacidade de observar o que acontece a nossa volta.

Rezam as lendas de que pescaria era sinônimo de silêncio, de monitorar o vento, de olhar para a linha de nylon do anzol sobre a água; tudo girava pacientemente na expectativa do momento de fisgar o peixe. Atualmente existe mais um personagem relevante, com o advento das antenas móveis e dos satélites, os olhos agora disputam a atenção e a tela do celular rouba a cena, inclusive a exuberância da natureza já não é mais motivo de contemplação.

É preciso repensar a forma como estamos conduzindo nosso desenvolvimento. O mundo evoluiu porque alguns ficaram admirando o céu e com isso, as estrelas mostraram a navegação, através do sol se compreendeu como medir o tempo, olhando o fogo se aprendeu a cozinhar e se deixarmos de observar a nossa volta, vamos parar de evoluir.

É observando que se compreende, como as coisas acontecem e se movimentam.

Quando se pretende melhorar ou evoluir algo, é preciso olhar com foco, empenhar tempo para compreender, ter curiosidade, ter silêncio para analisar e muito interesse pela busca de soluções, mas infelizmente, todos estes fatores estão sendo suprimidos pela tela do celular.

Aguardar e esperar são verbos que não se aplicam mais, as pessoas estão perdendo a capacidade de aguardar o elevador, de ficar na fila do supermercado, para esperar semáforo abrir, até algumas conversas promovem intolerância pela impaciência. Desaprendemos a esperar, porque passamos a acreditar que esperar é perda de tempo e o mundo encontrou uma forma curiosa de contornar esse problema, somos reféns das redes de Wi-Fi que não precisam de senha.

Nos tempos antigos existia a vizinha que ficava na janela vendo o movimento da rua, ela foi superada e hoje, querendo ou não, as redes sociais nos facilitam o acesso inclusive para os muitos desconhecidos nas janelas do mundo. Nosso tempo está sendo consumido com pessoas que nem conhecemos.

Nós não aprendermos a nos isolar do mundo virtual e estamos ensinando desde muito cedo nossas crianças, que ficar online é o que realmente importa, melhor dar o celular para o pequeno antes que ele comece a chorar.

Nos ensinaram que o tédio é coisa de desocupado, que a ociosidade é perda de tempo, mas, na verdade é justamente o contrário, para se encontrar soluções para a vida, é preciso limpar os pensamentos, ficar em silêncio e ter a mente aberta, desta forma será possível encontrar conexões e soluções.

Quem nunca encontrou respostas durante uma caminhada em que a paisagem era a única testemunha?

Sempre escutamos que o banheiro não é um lugar saudável, inclusive que ficar sentado no vaso sanitário por muito tempo, pode ser prejudicial para a saúde. Infelizmente a saúde está perdendo para a tela do celular e o banheiro é um bom refúgio, para ficar imóvel e assim navegar por horas nas redes sociais.

Vivemos uma época extraordinária, onde o acesso a conhecimento está a mão, mas infelizmente, estamos perdendo a nossa capacidade de pensar, ninguém quer perder tempo e ter que passar por várias tentativas para fazer algo, é mais prático pedir para uma Inteligência Artificial, em segundos, ela entrega várias respostas prontas. Estamos perdendo as oportunidades de experimentar e através de tentativas, observar acertos e aprender com os erros.

Atualmente, para fazer macarrão é utilizado a IA, ela irá orientar as quantidades, o tempo necessário, os ingredientes e é bem provável que fique bom, mas onde se perdeu o interesse em pegar um livro de receitas, estudar as quantidades, analisar os ingredientes e construir com o raciocínio este processo? É com o exercício da imaginação que se promove conhecimento e novas oportunidades de experimentação.

As maquinas estão se tornando inteligentes e em breve serão independentes, isso não é algo ruim e irá proporcionar qualidade de vida, o problema será quando nos sentirmos confortáveis para não pensar em algo e optarmos por colocar uma máquina para fazer, é quando iremos perder a sabedoria de aprender com a vivência.

A curiosidade exige raciocínio, para se fazer perguntas que impulsionam o desenvolvimento, se nos acostumarmos a receber respostas prontas, iremos atrofiar o exercício de pensar, deixaremos de ser criativos e perderemos a engenhosidade que promoveu a humanidade de chegar até os dias atuais.

Nós precisamos desaprender de sermos dependentes da tecnologia.

PROVOCAÇÕES QUE DESPERTAM REFLEXÃO

Toda tecnologia foi criada para simplificar tarefas e nos dar mais tempo para aquilo que realmente importa. Mas porque não estamos sabendo aproveitar esse tempo e qual o motivo de nos distrairmos com tamanha facilidade? Se você resolver desligar seu celular, será que ele vai sentir sua falta ou somos nós que sentiremos a sua ausência? Por que é tão difícil admitir, que estamos viciados no celular e nas redes sociais?

Paulo C. Andrighe

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